31 de out de 2013

Comunhão dos santos: tema da Audiência geral, na praça de São Pedro.

Em vésperas da festa litúrgica de Todos os Santos e da comemoração dos fiéis defuntos, o Papa Francisco dedicou a catequese da audiência geral desta quarta-feira a comentar o artigo do Credo em que professamos a nossa fé na "Comunhão dos Santos".

Presentes nesta audiência dezenas de milhares de pessoas. Dentre os peregrinos lusófonos, destacar hoje, para além de portugueses e brasileiros, um grupo proveniente de Timor Leste.

Em lugar de destaque, uma delegação de iraquianos representantes de diversos grupos religiosos, que participaram em Roma, ontem e hoje, num encontro promovido pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.

Eis a síntese, em português, da catequese desenvolvida na Audiência Geral:

Queridos irmãos e irmãs,

A comunhão dos santos, esta belíssima realidade da nossa fé, pode se entender em dois sentidos: comunhão nas coisas santas e comunhão entre as pessoas santas, ou seja, todos aqueles que pertencem a Cristo. Este segundo sentido nos lembra que a comunhão dos santos tem como modelo a relação de amor que existe entre Cristo e o Pai no Espírito Santo: é o amor de Deus que nos une e purifica dos nossos egoísmos, dos nossos juízos e das nossas divisões internas e externas. Ao mesmo tempo, também experimentamos que a comunhão com os irmãos nos leva à comunhão com Deus. De fato, nos momentos de incerteza e mesmo de dúvida, precisamos do apoio da fé dos demais. Finalmente, é importante lembrar que a comunhão dos santos não acaba com a morte: todos os batizados aqui na terra, as almas do Purgatório e os santos que estão no Paraíso formam uma grande família, que se mantem unida através da intercessão de uns pelos outros.

Não faltou também uma saudação aos peregrinos lusófonos que participaram nesta audiência:

Queridos peregrinos de Portugal, de Timor Leste e do Brasil: sede bem-vindos! Daqui alguns dias, celebraremos a solenidade de Todos-os-Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos. Possa a fé na comunhão dos santos vos animar a encomendar a Deus, sobretudo na Eucaristia, os vossos familiares, amigos e conhecidos falecidos, sentindo a proximidade deles na grande companhia espiritual da Igreja. Que Deus vos abençoe!

No final da audiência, o Santo Padre referiu-se expressamente à delegação iraquiana de representantes dos diferentes grupos religiosos do país, observando:

Convido-vos a rezar pela querida nação iraquiana, infelizmente atingida quotidianamente por trágicos episódios de violência, para que encontre o caminho da reconciliação, da paz, da unidade e da estabilidade.

Já no final da saudação “aos peregrinos de língua árabe, em especial aos provenientes do Iraque, o Santo Padre exortara:

Quando experimentardes inseguranças, desânimo e mesmo dúvidas no caminho da fé, procurai confiar na ajuda de deus, mediante a oração filial, encontrando ao mesmo tempo a coragem e a humildade de vos abrirdes aos outros. Como é belo apoiarmo-nos uns aos outros no caminho da fé! Que o Senhor vos abençoe.


Fonte: news.va

Mulheres são a maioria entre missionários católicos brasileiros no exterior

A palavra ‘missionário’ denomina ‘aquele que foi incumbido de realizar determinada missão ou pessoa que prega uma religião, com o intuito de converter à sua fé'. O Brasil é o segundo país no mundo que mais envia missionários ao exterior.

Em seu discurso, em julho deste ano, durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, o Papa Francisco ressaltou a importância do trabalho missionário para a construção de um mundo melhor.

“O Senhor precisa de vocês! Ele também hoje chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja e ser missionário” - Papa Francisco na Vigília de Oração em Copacabana – 27/07/13.

Demonstrando a grande relevância do trabalho missionário, a Revista Mundo e Missão apresentou, neste mês de outubro, dados atualizados dos missionários católicos brasileiros no exterior.

Preparado pelo Conselho Missionário Nacional (COMINA), o cadastro é permanentemente atualizado. Segundo os dados disponíveis, 1.829 missionários brasileiros estudam ou trabalham no exterior. A classificação por gênero confirma a ampla prevalência do sexo feminino na ação ad gentes.



A região que apresenta o maior número de missionários no exterior é a região sul (45,87% do total), justamente a que tem a maior quantidade de imigrantes estrangeiros. A região com o menor número de missionários no exterior (apenas 2,41% do total) é a região centro-oeste.



Um número expressivo de missionários ocupa cargos institucionais ou ainda se prepara para as missões. Esta é, por exemplo, a situação da maioria dos que se encontram na Europa (26,51% do total).

Os missionários se ocupam das mais diversas pastorais, áreas e funções. Ou se preparam para exercê-las. Praticamente um terço deles se dedica às atividades gerais de pastoral.

Sessenta e seis missionários no exterior (apenas 3,61% do total) se ocupam da pastoral vocacional ou da animação missionária.



Testemunho - Irmã Maria de Lourdes Costa, brasileira, Apóstola do Sagrado Coração de Jesus, conta foi sua experiência como missionária na África:
Religiosa missionária em Moçambique

“Após alguns dias da minha profissão perpétua, recebi a imensa graça de partir para Moçambique, onde em 2012 iniciei minha missão em Maputo, capital do país. Aqui trabalho numa escola com 1.464 alunos de 1ª a 7ª classes”.

“Um grande desafio no início da missão foi colocar-me como ‘hóspede na casa do outro’, atitude que exigiu abertura de coração, não criar expectativas e desaprender para aprender”, ressaltou.


Fonte: Portal A12.com

16 de out de 2013

A internet impacta o modo de pensar

Conversa com o padre Antonio Spadaro, diretor de La Civiltà Cattolica

No evento de apresentação do seu livro "Ciberteologia", no dia 7 de outubro, o ZENIT entrevistou o padre Antonio Spadaro, diretor de La Civiltà Cattolica, a mais antiga revista italiana.

Padre Antonio, o seu livro fala de “espiritualidade da tecnologia". Esta espiritualidade inerente à técnica foi compreendida pelo mundo laico? É um potencial que o mundo laico compreende?

Eu acho que o desafio não é apenas para o mundo laico ou apenas para o mundo cristão, mas para o mundo em geral, para as pessoas de hoje. O ponto é entender o que é a tecnologia. Ela pode ser entendida como algo desumanizador, como aconteceu muitas vezes no século XX, ou pode ser entendida como a expressão da liberdade humana, dos seus desejos humanos mais profundos, da sua capacidade de ação e também das suas faculdades mais elevadas, como também pelo desejo de Deus. Se lermos bem dentro da tecnologia e da necessidade humana de expressar-se tecnologicamente, reconheceremos valores que também estão na base da espiritualidade humana. O maior desafio hoje é observar como o campo de reflexão da tecnologia é exatamente o campo das grandes questões do homem e, portanto, também o campo da espiritualidade humana.

Como foi recebido na Igreja esse conceito de ciberteologia? Houve mais reservas ou mais abertura?

As duas coisas. É um conceito em movimento, não é um dogma. Ele nasceu de uma questão simples: hoje a rede tem um impacto no modo de pensar, e a teologia consiste em pensar a fé: "intellectus fidei" é a definição tradicional de teologia. Então a questão é "se" e "como" o ambiente digital vai impactar a forma como pensamos a fé. Dentro do mundo da Igreja, eu encontrei um grande interesse neste assunto. E vi que o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais e o Gabinete de Comunicação da Conferência Episcopal Italiana (CEI) têm grande interesse neste campo. A ciberteologia virou matéria na Universidade Gregoriana... Este ano eu fui convidado para lecionar essa matéria. Vou tentar, dentro dos limites de tempo e de disponibilidade que eu tenho. Fiquei impressionado com o interesse que ela tem despertado, não só na Itália, mas em várias partes do mundo. A inclusão dessa matéria no currículo teológico me confirma que chegou a hora de processar melhor esta reflexão.

O senhor entrevistou o papa Francisco, no final de agosto. As palavras do dele percorreram o mundo inteiro e chamaram muito a atenção, tanto na Igreja quanto no mundo laico. Quais foram as palavras do papa que mais impressionaram o senhor? E quais foram os seus sentimentos diante de um papa que também é um dos seus irmãos jesuítas?

É claro que a entrevista foi uma grande surpresa. Aliás, para mim, mentalmente e espiritualmente, não foi só uma entrevista, foi uma verdadeira experiência espiritual, de alto impacto humano e de grande valor espiritual. Considerando essa grande intensidade dessa experiência que eu tive, é muito difícil, para mim, achar uma passagem mais importante do que as outras, porque foram realmente muitos os pontos importantes abordados pelo papa.


Fonte: Boletim ZENIT [ZP131013]